HOME
Home arrowBENCHMARK arrowPolíticas Públicas de Emprendedorismo no Sul da Europa

Políticas Públicas de Emprendedorismo no Sul da Europa

PDF Imprimir e-mail

O empreendedorismo constitui-se como um dos temas do momento. o seu desenvolvimento permite a geração de riqueza e o crescimento económico, através de novos projectos empresariais e a criação de postos de trabalho. Por isso, é unanimemente considerado uma das alavancas para assegurar o desenvolvimento económico da Europa. Mas o que é necessário fazer para lançar mais empreendedores e ter uma maior taxa de sucesso?

Um estudo realizado pela Leadership Business Consulting no âmbito da estratégia da Comissão Europeia para o fomento do empreendedorismo europeu recomenda que as regiões do Sul da Europa actuem essencialmente na vertente educacional, fomentando uma cultura empreendedora, e no suporte ao financiamento, permitindo o arranque de novos projectos com uma estrutura de acompanhamento adequada. o estudo aponta um conjunto de acções para melhor promover o empreeendedorismo.

No âmbito dos esforços da Comissão Europeia pela promoção do empreendedorismo, a Leadership Business Consulting foi seleccionada pelo Emprende-Inova para elaborar um estudo sobre as políticas públicas de apoio ao empreendedorismo. o estudo foi concluído no final de 2006 e adjudicado pela entidade representativa do Empreende-Inova em Portugal, o INSCooP - Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo.

O estudo identifica as melhores práticas no espaço SUDOE (Portugal, Espanha e Sul de França) e noutros países da União Europeia, e estabelece directrizes e linhas orientadoras para a concretização de políticas públicas que visem o desenvolvimento do empreendedorismo.

Orientações Estratégicas Europeias

O trabalho desenvolvido adoptou como enquadramento prévio as orientações estratégicas da Comissão Europeia para promover o empreendedorismo europeu, definidas no Livro Verde “Espírito Empresarial na Europa”.

Pretende-se que as propostas apresentadas pelo estudo constituam elementos de reflexão para a tomada de decisão das entidades e organismos que contribuem para a definição e execução de políticas públicas de fomento ao empreendedorismo.

A abordagem adoptada foi inovadora na classificação e análise das iniciativas do empreendedorismo, definindo:

I) fases de ciclo do empreendedorismo - pré-desenvolvimento da ideia, desenvolvimento da ideia, criação/ implementação da ideia e desenvolvimento do projecto);
II) vertentes de apoio ao empreendedor - agilização processual, consultoria, divulgação, financiamento, formação, formalização, incentivos fiscais e sociais, infra-estruturas e parcerias de negócio.

Figura 1 - Orientações para a Promoção do Empreendedorismo Europeu

Conclusões sobre as Políticas Públicas no Espaço SUDOE

As causas que limitam o empreendedorismo europeu prendem-se com as barreiras administrativas, o financiamento, o risco associado à iniciativa empresarial, o processo educacional, a formação e as políticas de apoio ao empreendedorismo.

Ao nível das vertentes de apoio e das fases de ciclo, foram identificadas, as seguintes conclusões fundamentais:

  • Conjunto restrito de iniciativas na Fase de Pré-Desenvolvimento da Ideia;
  • Iniciativas com impacto conside-rável na Fase de Desenvolvimen-to da Ideia;
  • Insuficiente coordenação global das iniciativas
  • Insuficiência de benefícios fiscais e sociais específicos para empre-endedores
  • Insuficiência de linhas de financiamento;
  • Existência de um limitado número de iniciativas que promovem as parcerias de negócio;
  • Legislação inadequada às neces-sidades do empreendedor.

Figura 2 - As Principais Causas que Limitam o Empreendedorismo Europeu

Ao nível do impacto das medidas existentes verifica-se o seguinte:

  • Promotores - o Estado disponibiliza um conjunto de ferramentas de financiamento, divulgação, consultoria, formação e parcerias de negócio, enquanto o sector privado disponibiliza iniciativas que abrangem todas as vertentes de apoio;
  • Adesão - A adesão aos programas públicos não é total, embora a maioria das iniciativas demonstrem uma taxa de crescimento positiva;
  • Resultados - Existem casos de sucesso de iniciativas, porém a taxa de criação de empresas no SUDOE é baixa e a taxa de sobrevivência pode ainda ser melhorada;
  • Requisitos - Há um conjunto de iniciativas de fácil acesso com re-quisitos simples mas há também iniciativas no âmbito do financia-mento e da formação financiada com requisitos complexos ou pouco flexíveis.

No que respeita ao processo de gestão das iniciativas as principais conclusões são:

  • Necessidade de definir objectivos concretos e quantificáveis para as iniciativas;
  • Necessidade de definir indicadores de impacto e de acompanhamento para as medidas;
  • Limitada aplicação de instrumen-tos de monitorização das iniciati-vas (medida do impacto);
  • Insuficiente coordenação cen-tralizada das iniciativas, principal-mente as de divulgação;
  • Inexistência de uma estratégia global de desenvolvimento do empreendedorismo.

Através da identificação de melhores práticas no espaço SUDOE foram retiradas algumas conclusões importantes, das quais se destacam:

  • O espaço SUDOE dispõe de um conjunto de boas práticas que cobrem genericamente as quatro fases do ciclo do empreendedorismo, existindo uma oferta maior nas fases de criação/ implementação da ideia e de desenvolvimento do projecto;
  • Existe um conjunto de oportunidades de melhoria para os diversos países cobrindo gaps específicos existentes em cada um deles.

Figura 3 – Boas Práticas no espaço SUDOE e seu Posicionamento no Ciclo do Empreendedorismo

Melhores Práticas Europeias

O Benchmarking Internacional realizado permitiu a identificação de um conjunto de boas práticas noutros países que podem ser implementadas para melhor fomentar o empreendedorismo no espaço SUDOE, entre os quais se destacam as seguintes:

Melhores Práticas Europeias

Estas melhores práticas internacionais incidem nos factores mais importantes para a promoção e desenvolvimento do empreendedorismo: o fomento de uma cultura empreendedora nas pessoas, tanto no momento escolar como universitário, e a capacidade de apoiar e acompanhar projectos, nomeadamente a nível de suporte financeiro.

Neste âmbito, é necessário que os agentes do mercado financeiro, como acontece a nível internacional, respondam de uma forma mais eficaz às necessidades dos empreendedores, lançando produtos mais adequados para alguns segmentos (p.e. no micro-empreendedorismo) e apoiando a própria formação empresarial dos empreendedores, nos primeiros momentos de lançamento do negócio (p.e. na elaboração do plano de negócios e em acções de formação sobre temas de gestão).

Figura 4 – Iniciativas Internacionais no Ciclo do Empreendedorismo

Estratégia de Actuação Recomendada para o Espaço SUDOE

A estratégia para o desenvolvimento de iniciativas de apoio ao empreendedorismo no espaço SUDOE deve assentar num conjunto de quatro eixos de actuação. Cada eixo de actuação contempla um conjunto de prioridades, que deverão ser executadas através da implementação de acções específicas, identificadas em detalhe no estudo.

  • Eixo 1 - Empreendedorismo para Todos - visa eliminar os obstáculos ao desenvolvimento e crescimento das empresas;
  • Eixo 2 - Disseminação da Cultura Empreendedora - visa incutir uma cultura empreendedora na sociedade civil;
  • Eixo 3 - Valorização do Empreendedorismo - visa valorizar as pessoas que assumem riscos no desenvolvimento de novos projectos; e
  • Eixo 4 - Gestão Eficiente das Iniciativas de Empreendedorismo - visa a promoção de uma gestão orientada para os resultados das iniciativas desenvolvidas.Em suma, a estratégia de actuação baseia-se numa lógica de 3pg: pessoas, processos, práticas e gestão.

Figura 5 – Eixos Recomendados para a Estratégia de Apoio ao Empreendedorismo

O Eixo 1 - Empreendedorismo Para Todos, visa eliminar os obstáculos ao desenvolvimento e crescimento das empresas.

  Objectivos Resultados
EIXO 1 - Empreendedorismo para Todos
Prioridade 1.1 - Desenvolvimento do Modelo de Financiamento Disponibilização de mais instrumentos de financiamento na tentativa de reduzir consideravelmente as barreiras à entrada, no âmbito de empreendedorismo

Aumentar micro-créditos;
Promover a utilização de ventura capital;
Aumentar financiamento bancário para empreendedores.

Prioridade 1.2 - Consolidação da Agilização Processual Capitalização das iniciativas de sucesso existentes na área de agilização Maior numero de serviços de apoio ao empreendedor com maior nível de eficiência.
Prioridade 1.3 - Melhoria da Divulgação das iniciativas Aumento da eficiência e eficácia das iniciativas de divulgação, permitindo ao empreendedor o acesso a informação estruturada, completa e sistematizada Maior abrangência na divulgação (novos tipos de informação); Acesso mais fácil à informação de apoio
Prioridade 1.4 - Reforço e Alargamento das Iniciativas Existentes Aumento e capacidade de apoio à actividade empreendedora Aumento da abrangência das iniciativas existentes (p.e. extensão sectorial, cobertura territorial, reforço financeiro, etc...)

 


O Eixo 2 - Disseminação da Cultura Empreendedora, visa incutir uma cultura empreendedora na sociedade civil.

  Objectivos Resultados
EIXO 2 - Disseminação da Cultura Empreendedora
Prioridade 2.1 - Promoção do Empreendedorismo Disseminação dos resultados da actividade de empreendedorismo junto da sociedade civil, como forma de tentar minimizar a natural aversão ao risco

Aumento do grau de conhecimento das iniciativas de empreendedorismo junto da sociedade.

Prioridade 2.2 - Empreendedorismo no Sistema Educativo Criação de uma cultura empreendedora nas camadas mais jovens da sociedade garantindo que a mesma se enraíze para gerações vindouras Aumento do nível de competências necessárias ao desenvolvimento do empreendedorismo;
Redução de aversão ao risco
Prioridade 2.3 - Formação em Empreendedorismo Promoção de formação de qualidade e adequada às necessidades do empreendedorísmo. Disseminação de acções de apoio ao empreendedorismo com qualidade


 

O Eixo 3 - Valorização da Cultura Empreendedora, visa valorizar as pessoas que assumem riscos no desenvolvimento de novos projectos

  Objectivos Resultados
EIXO 3- Valorização da Cultura Empreendedora
Prioridade 3.1 - Balanceamento do risco com o retorno do investimento mais favorável Reduzir o impacto do risco na actividade empreendedora e aumentar o retorno do investimento.

Redução do custo do empreendedorismo

Prioridade 3.2 - Encorajamento dos empreendedores para desenvolverem negócios existentes Aproveitar negócios existentes com potencial de crescimento capitalizando o seu conhecimento de mercado Rejuvenescimento do tecido empresarial actual
Prioridade 3.3 - Aumento da atractividade dos Spin-off’s Aproveitamento de sinergias existentes, redução do cousto de empreendedorismo e aproveitamento de ideias desenvolvidas Aumento da utilização do know-how detido nos meios universitários e no meio empresarial


O Eixo 4 - Gestão Eficiente das Iniciativas de Empreendedorismo, visa a promoção de uma gestão orientada para os resultados das iniciativas desenvolvidas

  Objectivos Resultados
EIXO 1 - Empreendedorismo para Todos
Prioridade 4.1 - Melhoria na Implementação das Medidas Aumento da eficácia das medidas existentes, melhorando o nével de apoio ao empreendedor e o impacto no desenvolvimento económico.

Iniciativas com impacto maior no desenvolvimento do empreendedorismo.

Prioridade 4.2 - Implementação de Modelos de Monitorização Criação de mecanismos que permitam controlar a implementação das medidas para posterior correcção, caso seja aplicável Aumento da capacidade de avaliação do desempenho das iniciativas
Prioridade 4.3 - (Re) Adequação das Iniciativas Adequação das iniciativas à evoluçaõ das necessidades das actividades de empreendedorismo Maior alinhamento das iniciativas coma as necessidades reais de empreendedorismo
Prioridade 4.4 - Coordenação Eficaz das Iniciativas Aumento da eficácia e abrangência das iniciativas de divulgação. Maior facilidade no acesso às iniciativas

 

Lições Aprendidas e Aplicação Imediata em Portugal

Por último, este projecto traduziu-se na elaboração de um Plano de Transferência, isto é, um plano de implementação que fomenta a partilha de experiências entre os países do espaço SUDOE.

As oportunidades de transferência são constituídas pelas melhores práticas de apoio ao empreendedorismo que são disponibilizadas em pelo menos uma das regiões do espaço SUDOE e que são consideradas aplicáveis em outras regiões do Espaço SUDOE.

Para Portugal foram identificadas algumas oportunidades de transferência imediatas, encontradas em Espanha e França, que actuam nas áreas de maior premência para a promoção do empreendedorismo no nosso país: criação de uma cultura empreendedora nas pessoas e desenvolvimento de um modelo de suporte financeiro mais adequado aos empreendedores.

Para consultar mais informação sobre o projecto aceda a www.emprendeinnova.org

Figura 6 – Oportunidades de Transferência para Portugal

O Projecto Emprende + Innova

o projecto Emprende+Innova pretende ser um contributo para o desenvolvimento económico e, ao mesmo tempo, o fomento do emprego no espaço SUDOE (Sudoeste da Europa) através da criação de uma rede estável de apoio ao empreendedorismo.

o seu modo principal de intervenção é a partilha de conhecimentos, recursos e informações, e a apresentação de um conjunto de propostas que visem ultrapassar o limitado índice de êxito das políticas públicas de apoio ao empreendedorismo que têm sido desenvolvidas, a nível europeu, nacional, regional e local. As entidades que constituem esta rede de conhecimento são originárias de Portugal, Espanha e França: a Fundación Red Andalucía Emprende, o Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo, o Réseau Universitaire Toulouse Midi-Pyrénées, a Fundació Privada per a la Promoció de l’Autoocupació de Catalunya CP’AC, o DoCUMENTA – Instituto Europeu de Estúdios para la Formación y el Desarrollo, e a Confederación de Entidades para la Economia Social de Andalucía (CEPES - Andalucía).

os objectivos prosseguidos pelo Emprende+Innova, são os seguintes

  • Criação de uma rede transnacional no espaço SUDoE para a identificação, valorização e definição do perfil de empreendedor;
  • Análise dos factores da cultura empreendedora a potenciar pela Administração Pública no trabalho de fomento da criação de empresas;
  • Detecção de boas práticas de apoio ao empreendedor/a;
  • Intercâmbio de experiências inovadoras no empreendimento;
  • Difusão de resultados, boas práticas, estratégias e metodologias de fomento da cultura empreendedora no espaço SUDoE e UE;
  • Transferência de resultados das políticas nacionais, regionais e locais para a sua aplicação;• Elaboração comum dos indicadores para monitorização dos resultados.

Para a concretização destes objectivos foi definido um plano de actuação estruturado em sete etapas

  • Criação de uma rede virtual de apoio ao empreendedor que contenha informação e ferramentas de apoio;
  • Desenvolvimento de ferramentas informáticas de apoio ao empreendedor;
  • Realização do projecto-piloto sobre análises de políticas públicas, propostas de estratégia e plano de transferência de resultados;
  • Realização de estudos sobre todos os aspectos que rodeiam a figura do empreendedor;
  • Criação de um observatório que contenha as informações periódicas assim como informação actualizada sobre os indicadores do projecto;
  • Realização de jornadas de difusão nacional (Espanha, Portugal e França) e transnacional (Bruxelas) dos resultados do projecto entre os agentes económicos, sociais e políticos;
  • Desenvolvimento dos procedimentos de gestão técnica, administrativa e financeira para a correcta execução do mesmo.
Leadership Agenda 2

EDITORIAL
TEMA - SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E INOVAÇÃO
  Novos Desafios a Vencer por Novos Líderes
  Sistema de Monitorização do Plano Tecnológico é uma Referência
  O ebXML Como Um MarketPlace Electrónico à Escala Mundial
  Portais Públicos Colaborativos - Uma Ferramenta ao Serviço da Modernização da Administração Pública
  Angola Aposta nas Tecnologias de Informação para Galgar Patamares de Desenvolvimento
NACIONAL
  Implementação Estratégica Orientada para Resultados - O Desafio de Turnaround da EMEL
  O Desafio da Profissionalização da Gestão em Empresas Familiares - O Caso de Sucesso da Luís Vicente
  Eficiência Operacional nos Sectores Recém Regulados - Caso EDA - Empresa de Electricidade dos Açores
  Diferenciação pela Qualidade do Serviço Prestado - O caso da ABPG
INTERNACIONAL
  Um Novo Modelo de Comercialização dos Produtos Ecológicos em Espanha
  A Importância do Alinhamento do Negócio - O exemplo da ASA
  Portal corporativo da Sonangol - Um Motor de Gestão da Mudança
  O equilíbrio entre valor accionista e a responsabilidade social - O caso da ENACOL
  Pensar nas Pessoas Antes de Reestruturar - Thinking of you – nova mensagem da Electrolux
  Desenvolvimento Económico Local Baseado No Talento - O Caso do Município de Boadilla del Monte
SECTOR CORREIOS
  One Size Does NOT Fit All - O Exemplo da Reestruturação das Redes de Terceiros do Grupo CTT
  Correios de Angola Modernizam-se - Um modelo para capitalizar o potencial de mercados emergentes
BENCHMARK
  Políticas Públicas de Emprendedorismo no Sul da Europa
LIDERANÇA
  Liderança, Uma Questão de Carácter e Vontade
  A Liderança do Talento é o Centro do Novo Modelo Competitivo


 Estratégia e Finanças
Fev. 2007
Implementação Estratégica Orientada para Resultados - O Desafio de Turnaround da EMEL
 Org. e Gestão da Mudança
Fev. 2007
O equilíbrio entre valor accionista e a responsabilidade social - O caso da ENACOL
 Operações e Performance
Fev. 2007
Sistema de Monitorização do Plano Tecnológico é uma Referência
 Marketing e Vendas
Fev. 2007
Um Novo Modelo de Comercialização dos Produtos Ecológicos em Espanha
 Gestão do Capital Humano
Fev. 2007
A Liderança do Talento é o Centro do Novo Modelo Competitivo
 Tecnologias de Negócio
Fev. 2007
Portal corporativo da Sonangol - Um Motor de Gestão da Mudança